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Encontro internacional sobre o trabalho

Departamento de Psicologia

Universidade Federal da Paraíba -UFPB

Conj. Pres. Castelo Branco III,

João Pessoa - PB, 58033-455

ENCONTRO INTERNACIONAL SOBRE O TRABALHO

2° Simpósio Franco – América Latina “Subjetividade e Trabalho”
5° Simpósio Interncional TAS – Trabalho, Atividade e Subjetividade
3° Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho

Produzir, subsistir, exisitir, revelar, resistir, trabalhar, criar, repetir, ter um lugar, viver, estar inserido, lucrar,fazer juntos, se transformar, ser reconhecido, agir, se sentir util, transmitir, ganhar em liberdade, ... ?

Nos mundos do trabalho em profunda transformação, as maneiras de trabalhar também mudam. E  numerorosos trabalhos de pesquisa dizem respeito às transformações das organizações de trabalho, das maneiras de trabalhar, de formas de emprego... mas essas investigações sobre como trabalhamos hoje não são dissociáveis de reflexões e análises sobre o porque e o para quê trabalhamos, sobre as mudanças das finalidades e da relação  ao trabalho.

 

Em particular na América Latina, vive-se atualmente uma realidade de fragilidade democrática e se constitui em laboratório social no qual se ensaia uma nova onda neoliberal com políticas de ajuste económico, deterioração da convivência democrática, violência institucional e precarização das experiencias de trabalho que dificultam a construção de sentido.

 

O trabalho não é determinado somente pelo  tipo de técnica utilizado,  tampouco pelo modo de propriedade dos meios de produção. São talvez seus objetivos e sua conflitualidade que orientam as modalidades do trabalho, do nivel mais micro da atividade àquele das politicas do trabalho.

 

 

Trabalhar não é apenas se perguntar, individualmente ou coletivamente, como fazer.  É também fundamentalmente pensar no «para que fazer» e olhar para a própria atividade através daquilo que se procura fazer.

O como fazer tem um carater contingente e concreto. É centrado sobre os meios, as funções, as maneiras de fazer. Quando a questão do como toma a frente daquela do porquê, quando a pergunta sobre os meios suplanta os fins, todas as derivas são possíveis. A história nos motrou que podemos fazer do extermínio de milhões de seres humanos uma tividade produtiva eficiente. E, hoje, sabemos como  isto pode abrir o caminho a efeitos destruidores sobre o meio ambiente,  reversiveis ou não, a uma crise ecologica sem precedentes. A produtividade do trabalho humano tem  consideravelmente aumentado na historia... mas para quê?

 

Aqui podemos voltar à dicotomia classica de Aristóteles entre poiesis e praxis : a poiesis designa atividades ligadas às utilidades, aos seus meios e visando o bem viver, oposto ao viver bem. Essas atividades são apreciadas em termos de competências, do saber-fazer, de perícia e de eficacia ou eficiencia.

A praxis ao contrario, compreende todas as atividades nas quais se exprime nossa capacidade, propriamente humana, de colocar finalidades. São atividades que encvolvem fazer escolhas de objetivos e assumir responsabilidades. A praxis pertence à esfera onde se manifestam e se realisam nossas identidades pessoais, onde se afirma o sentido que a vida tem para nós.

Mas o fazer e o agir, a poiesis e a praxis, não são classes distintas ou mesmo opostas, de atividades humanas : elas são dimensões que atravessam cada uma delas. Assim, a questão dos meios, do sentido do trabalho conta tanto quanto a eficacia, a performance. Como pensar aqui as finalidades  buscadas  no trablho ?

 

Os desafios da actividade de trabalho sempre superam  os da eficácia, do desempenho ou da rentabilidade, tal como definidos pelas racionalidades instrumental ou económica.

As atividades humanas são  simultâneamente produção de si e do mundo, ação, entendidas como praticas sociais de construção e transformação de um mundo comum. Essas atividades são repletas  de finalidades  diversas e contrarias, de motivos contraditorios que convocam arbitragens, compromissos em relação aos fins perseguidos. Além disso,  os conflitos de objetivos  (intrapsiquicas, interpessoais, sociais, politicas...) estão no coração do trabalho.

 

Este evento científico, internacional e pluridisciplinar, pretende explorar e colocar em discussão as finalidades do trabalho e suas dimensões existenciais, sociais, econômicas, politicas e eticas.

As  finalidades do trabalho são as mesmas hoje e ontem ?

em todos os países, regiões e contextos socio-econômicos e culturais ? 

para todas as categorias e classes sociais ?

para homens e mulheres ?

para todas as idades ?

 

Estas perguntas, dentre outras, podem ser analisadas sob o prisma das transformações do trabalho (intensificação, precarisação, individualisação...) e de relações ao trabalho e às organizações, mas também à luz de outras evoluções como o prolongamento da duração da vida, o desenvolvimento  de novas tecnologias, a mundialisação... ou ainda em relação às experiencias e praticas de transformação do trabalho. Elas poderão ser apresentadas como reflexões teóricas e/ou resultados  de pesquisa de campo.

 

Diferentes disciplinas podem ser convocadas para explorar esta problematica : a psicologia e a sociologia do trabalho, a ergonomia, a ergologia, a medicina do trabalho, o direito, a história, a psicanálise, as ciências administrativas, a educação, a arte, a antropologia, entre outras.

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